CINEMA E TV

ÚLTIMOS FILMES QUE ANDEI ASSISTINDO

Já faz bastante tempo desde que falei sobre os filmes que andei assistindo aqui no blog, tanto tempo que eu nem consigo me lembrar quando foi realmente a última vez que fiz isso. Como disse em outro post, tenho tido muita preguiça de assistir filmes em casa e embora goste muito da experiência de ir ao cinema, com os preços extorsivos que são cobrados pelos ingressos e um combo mais ou menos decente de refrigerante e pipoca, acabo não assistindo todos os lançamentos que gostaria, o que acaba reduzindo bastante a quantidade de novos títulos que são adicionados ao meu perfil no Filmow (me adicionem, beijos de luz). Fora isso, pelo menos na faculdade eu ainda continuo assistindo uma coisa ou outra sempre que possível, o que me impede de parar de vez e continuar tendo um ou outro filme pra falar a respeito – que é justamente o que eu vou fazer agora. Ao contrário de outros posts nesse estilo, no entanto, essa não é exatamente uma lista do que achei mais relevante comentar, mas daquilo que eu lembro que assisti nesse meio tempo. Perdoem a falha, prometo melhorar.

the-legend-of-tarzan_t68790_2NozyAf_jpg_210x312_crop_upscale_q90A Lenda de Tarzan (David Yates, 2016): A Lenda de Tarzan é mais um desses filmes que se apoiam em histórias bem conhecidas para contar algo totalmente novo que às vezes funciona, às vezes não. Tarzan não funciona. É um filme divertido? Sem dúvida. Mas é totalmente esquecível também, além de ter um roteiro e uma direção bem fracos. Não gostei nem um pouco dessa história de um único cara branco ter que despencar lá dos cafundós de onde judas perdeu as botas pra salvar vários negros que são tão ou mais fodas que ele, como se ele realmente fosse algum tipo de super-herói salvador da pátria. Além disso, o vilão é bem insuportável (de um jeito ruim) e a forma como a história pregressa do Tarzan é inserida é um saco. Salva pelo Alexander Skarsgård e pela Margot Robbie, mas é meio que só isso mesmo.

batman-a-piada-mortal_t127789_png_210x312_crop_upscale_q90Batman: A Piada Mortal (Sam Liu, 2016): Pensem num filme errado, mas assim, muito muito errado mesmo. Agora multipliquem isso pelo maior número que vocês conseguirem pensar e talvez, só talvez, vocês consigam ter ideia da grande piada (perdão, foi mais forte que eu) de mal gosto que é esse filme. Não dá pra dizer que eu não sabia onde estava me metendo, já que foram vários textos lidos sobre o assunto antes de finalmente sentar e assistir, mas assim, nada podia me preparar para o HORROR que eu vi na tela. É um absurdo que em pleno 2016 e com tanta gente falando sobre feminismo e representação feminina, um diretor safado resolva não só adaptar uma história extremamente problemática como essa, mas transformá-la em algo infinitamente pior com a desculpa ridícula de um suposto empoderamento da Batgirl. Sério, cara, seje menas. Ninguém precisa desse desserviço.

06fdd97537a90d61a7d6042eb1e587de_jpg_210x312_crop_upscale_q90Alemanha, Ano Zero (Roberto Rossellini, 1948): Terceiro filme da trilogia do Rossellini sobre guerra, Alemanha, Ano Zero, mostra um lado que frequentemente esquecemos: o dos alemães pós Segunda Guerra Mundial. O filme acompanha a trajetória de um garoto de uma família muito pobre de Berlim, que precisa trabalhar para sustentar os irmãos e o pai doente, que ele passa a enxergar como peso morto – uma perspectiva que muda sua vida completamente. Ainda que seja um filme relativamente curto (são 71min de duração), é incrível como ele consegue ser tão marcante e transformar um cenário tão desolador, em algo tão bonito esteticamente. Além disso, boa parte dos atores no filme não eram profissionais, o que torna a representação dos personagens ainda mais crua e realista. Por fim, o final é realmente surpreendente, mas muito triste também, o tipo de coisa que é difícil esquecer.

a6e075c40b8f80ab723b9aac3b58db79_2_jpg_210x312_crop_upscale_q90O Gabinete do Dr. Caligari (Robert Wiene, 1920): Se antes de assistir esse filme alguém me dissesse que eu me apaixonaria completamente por um filme mudo de terror, eu teria rido com vontade, porque né. O negócio é que O Gabinete do Dr. Caligari é um filme realmente único e tão, tão bom, que transforma a missão de assisti-lo em algo realmente prazeroso. Não é difícil entender porque Tim Burton se encantou e pescou tantas referências do expressionismo alemão, um dos movimentos mais legais do cinema e ao qual esse filme pertence. Tudo é muito sombrio e melancólico, a realidade é constantemente distorcida e os personagens nunca são pessoas muito convencionais, e o fato do filme mostrar justamente a trajetória de um personagem mentalmente desequilibrado faz com que tudo isso faça ainda mais sentido. Recomendo muito fortemente.

meu-amigo-totoro_t7972_16_jpg_210x312_crop_upscale_q90Meu Amigo Totoro (Hayao Miyazaki, 1988): Foi a primeira vez que assisti a um filme dos Estúdios Ghibli (!) e a experiência foi tão incrível quanto vocês podem imaginar. A história de Meu Amigo Totoro é muito simples, mas é justamente essa simplicidade que encanta tão profundamente e mostra, acima de tudo, que não é necessário fazer coisas absurdas para construir um filme incrível. Me apaixonei perdidamente pelas personagens, chorei em alguns momentos e celebrei quando tudo ficou bem de novo, e o tempo todo não consegui deixar de pensar que ele era mesmo um filme muito, muito lindo, com uma mensagem muito boa por trás e que consegue mostrar com louvor a relação tão bonita e profunda entre duas irmãs. Embora existam algumas teorias sobre a real mensagem do filme, ele não deixa de contar uma história bonita e extremamente delicada, capaz de aquecer até os corações mais gelados.

a123ee945fb0c33057b500fa6223f7d0_jpg_210x312_crop_upscale_q90Quatro Amigas e um Jeans Viajante (Ken Kwapis, 2005): Assisti esse filme quando era muito novinha e resolvi fazer isso de novo no mês passado, quando decidi escrever sobre ele para o Valkirias. O texto acabou não saindo, mas assistir ao filme tanto tempo depois me deu uma nova perspectiva sobre ele, muito além da que eu tinha pelas lembranças da Ana de 12 ou 13 anos. Eu não lembrava, por exemplo, que o filme tinha uma carga dramática tão grande, sendo muito mais do que um simples filme sobre quatro amigas que dividem uma calça misteriosa e passam férias separadas pela primeira vez. Quatro Amigas e um Jeans Viajante é um filme sobre amizade, mas uma amizade que parece real, entre pessoas que são muito diferentes e vivem dramas muito diferentes, e seguem juntas mesmo assim. Além disso, gosto muito que nenhum dos problemas das meninas é imediatamente resolvido com um romance – uma alternativa bem preguiçosa que infelizmente ainda é muito usada nesse tipo de filme.

5d69901d79af31595d21eecb4208725f_jpg_210x312_crop_upscale_q90Morangos Silvestres (Ingmar Bergman, 1957): Na teoria eu gosto demais desse filme e reconheço todas as suas qualidades – da fotografia impecável até a discussão tão necessária mas, ao mesmo tempo, tão angustiante, sobre vida, morte, arrependimento, mágoas, solidão, lembranças e o fim que todos teremos um dia. Na teoria. Porque na prática Morangos Silvestres não me fez sentir absolutamente nada. Assisti-lo às oito da manhã talvez não tenha sido a minha escolha mais sábia nessa vida, ainda mais se tratando de uma história tão densa, de modo que acredito que muito da minha opinião final tenha mais a ver com todo o sono do mundo do que pelo qualidade do filme (que é enorme, isso eu preciso dizer). Queria me sentir como a maioria das pessoas que assistem ao filme e imediatamente se sentem destrinchando o próprio passado, as lembranças e álbuns de família, mas infelizmente não consegui chegar lá.

truque-de-mestre-o-segundo-ato_t84150_jpg_210x312_crop_upscale_q90Truque de Mestre: O Segundo Ato (Jon M. Chu, 2016): Fui praticamente arrastada para o cinema, jurando de pé junto que o filme ia ser um porre, meu deeeeeus alguém me tira daqui, só pra sair de lá eufórica, completamente apaixonada pelos personagens e pelas confusões em que eles se metiam e resolviam num passe de mágica (literalmente). O mais legal é que eu nem precisei ter assistido o primeiro para entender o que estava acontecendo e conseguir acompanhar tudo direitinho: a história é realmente muito simples e você não precisa se esforçar nem um pouco para entender. Ele é um filme bem pipocão mesmo, que não se esforça para contar uma história realmente boa, mas que funciona muito bem como entretenimento e não tem a menor pretensão de ser mais do que realmente é. Eu, que amo um filme besta que salte aos olhos para esquecer da minha vidinha ridícula, encontrei no segundo Truque de Mestre um ótimo aliado.

esquadrao-suicida_t107082_8OOR2hq_jpg_210x312_crop_upscale_q90Esquadrão Suicida (David Ayer, 2016): Se vocês estiverem interessados em ler uma crítica mais ou menos séria, escrevi sobre o filme lá no Valkirias. No entanto, preciso ser sincera e dizer que, embora o filme tenha (vários) problemas, enquanto entretenimento ele consegue cumprir muito bem o seu papel e eu me diverti MUITO assistindo. Era o que eu esperava? Definitivamente não. Podia ter sido melhor? Sem dúvida. Mas eu consegui me divertir um bocado, coisa que, depois de ler tantas críticas negativas, eu realmente achei que fosse ser impossível. Destaque para Margot Robbie, impecável como Arlequina e que só não fica melhor porque o filme ainda insiste em apostar naquele velho clichê do relacionamento abusivo romantizado. Stop romantização de relacionamentos abusivos 2k16. Fora isso, Esquadrão Suicida é infinitamente mais divertido que outras produções da DC por aí (BvS, é claro que estou olhando pra você).

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4 Comments

  • Reply Camila Faria 24 de agosto de 2016 at 8:48 PM

    Eu leio sobre esses filmes mais “recentes” e só me dá uma vontade imensa de rever os clássicos do passado. Morangos Silvestres eu me lembro de ter gostado tanto, preciso rever. E Estúdios Ghibli é sempre aquele quentinho no coração, apaixonante. <3

  • Reply Nicas 27 de agosto de 2016 at 7:51 PM

    “Truque de Mestre”: sério que é bom? O primeiro quase me matou de preguiça, as agora dei uma animada pra assistir a continuação (amo filme pipocão, tem dia que a gente precisa de filme pipocão).

    E Totoro! Esse grande embaixador do transporte público (se o Totoro pode esperar o ônibus com todo mundo, quem somos nós pra não esperar?!). Eu assisti esse desenho até cançar, em um VHS (!) que ganhamos numa promoção da farmácia (!!!). Melhor desenho!

    me interessei muito por esse trilogia Alemã, não é muito meu estilo de filme (não gosto de filme triste, desculpa, eu sou ridícula), mas se um dia estiver no clima, vou tentar ver os três!

  • Reply Tati 28 de agosto de 2016 at 5:22 PM

    To bem sem graça que o único filme que vi da listinha foi Quatro Amigas e Um Jeans Viajante, mas foi há tanto tempo que quando li o que você falou sobre ele percebi que já não faço mais a mínima ideia do real enredo dele :(

    Beijos miga <3

    Novembro Inconstante

  • Reply Michelle 9 de setembro de 2016 at 2:43 AM

    Sharon <3
    Só consegui ler o post agora e, nossa, adorei! Gosto muito desse tipo de post porque eu sempre termino de ler com vontade de assistir filmes (coisa que tem acontecido pouco por aqui) e ainda descubro umas coisas diferentes. Vou comentar cada um agora, bem rapidinho.

    A Lenda de Tarzan: pouco sabia sobre o filme e nem achei que estrearia em 2016, mas me enganei. Acho que você é a terceira pessoa diz que o filme é meio esquecível. Ainda quero assistir, mas vou esperar a Netflix colocar no catálogo.

    A Piada Mortal: olha, não costumo assistir animações de HQ – na verdade, acho que só assisti os desenhos que passavam no SBT – e esse aí não tinha me interessado, mas ao ler os seus comentários fiquei com vontade de assistir mesmo sabendo que vou odiar? Nada disso faz sentido? Socorro?

    Alemanha, Ano Zero: parece ser muito interessante, porém, triste. Vou assistir em algum dia de bad pisciana só para me destruir em lágrimas.

    O Gabinete do Dr. Caligari: miga, seu receio em relação ao filme é o meu. Lembro que quando estava na faculdade, fiquei super interessada em assistir, mas sempre ~esqueço~ dele quando penso que é um filme mudo e em preto e branco. No entanto, fazia a mesma coisa com Metropolis e quando assisti, me arrependi profundamente por ter enrolado. Ou seja, vou seguir a sua recomendação e irei assistir asap.

    Meu Amigo Totoro: esse filme é lindo <3 <3 <3 E concordo com tudo o que você disse! Quero assistir de novo porque lembro que fiquei com uma sensação ótima quando terminei. Outro que eu amo muito e que é dos Estúdios Ghibli é O Serviço de Entregas da Kiki. Sério, esse filme é amor <3

    Quatro Amigas e um Jeans Viajante: vi quando tinha uns 12 anos também, não lembro de nada e, com certeza, não enxerguei nada além da história mirabolante do jeans misterioso. Preciso rever e sei que vai ser muito legal.

    Morangos Silvestres: tudo o que você disse é verdadeiro para mim. Lembro que assisti em uma tarde de sábado, depois do almoço. É possível que eu tenha dormido. Porém, acho que o filme merece mais dedicação de minha parte, então deverei rever eventualmente.

    Truque de Mestre: O Segundo Ato: não assisti ainda, mas quero muito porque adorei o primeiro. :)

    Esquadrão Suicida: queria assistir, mas a repercussão negativa me desanimou. Vou esperar o lançamento em DVD ou na Netflix para conferir. Mas, ainda quero assistir e fico feliz por saber que é um filme divertido de assistir. Pior seria se tivesse uma história ruim e ainda fosse chato, né?

    Ufa! Falei demais, mas é porque eu adorei mesmo :)

    Beijos!

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