RORY GILMORE

Um balanço das leituras de 2018: o meme dos 50%

Mais de seis meses depois do último post deste blog, confesso que nem sei muito como voltar, mas estou tentando. É nessa tentativa meio ridícula, meio frustrada, que hoje respondo este ilustríssimo meme, já bastante conhecido, mas do qual só lembrei após ler as respostas da Mia, em que basicamente se faz um balanço das leituras do ano até aqui. 2018 tem sido um ano pouquíssimo favorável nesse aspecto (e em muitos outros, tbh), mas alguns livros me conquistaram o suficiente para valer à pena responder as questões mesmo assim, e é sobre eles, principalmente, que escrevo agora.

Eventualmente voltaremos com a programação normal deste blog, mas por ora, é isto.

1. O melhor livro que você leu até agora, em 2018.
O Condo da Aia, da Margaret Atwood – que honestamente, dispensa apresentações.

2. A melhor continuação que você leu até agora, em 2018.
A única até agora, mas não necessariamente a melhor: Noites Azuis, da Joan Didion. O livro é uma continuação de O Ano do Pensamento Mágico, onde a autora continua falando sobre perda, mas dessa vez centraliza a perda da filha, que morre de maneira repentina e um tanto jovem, de algo que ninguém esperava que fosse ter um desfecho tão triste, nem se tornar uma enfermidade tão grave. Noites Azuis ainda é um livro muito interessante e a escrita da Joan é realmente fascinante, mas em comparação, ele parece bem menos comprometido com a questão da perda em específico e o resultado é um livro bem pouco equilibrado – mas talvez perder um filho seja isso.

3. Algum lançamento do primeiro semestre que você ainda não leu, mas quer muito.
Pequenos Incêndios Por Toda Parte, da Celeste Ng – que não é um livro deste ano, mas foi lançado no Brasil só em 2018.

4. O livro mais aguardado do segundo semestre.
Não faço ideia, não me perguntem.

5. O livro que mais te decepcionou esse ano.
On The Road, do Jack Kerouac, que pra começar comprei por engano, mirando no Into The Wild, do Jon Krakauer. Publicado originalmente em algum momento da década de 1950, On The Road é um livro bem famoso lá fora e vira e mexe surge como referência (Gilmore Girls e Mad Men, por exemplos, o citam em determinado momento), porque ele foi, de fato, um marco pra uma geração. Mas nada disso anula o fato de ele ser um livro realmente detestável, com personagens tão detestáveis quanto. Não é só o machismo que incomoda (Oscar Wilde conseguiu muito bem, obrigada, escrever um livro incrível e ainda assim profundamente misógino), embora isso naturalmente aconteça, mas não há nada realmente relevante na estrada, nenhuma mudança, nenhum amadurecimento. Histórias que se passam na estrada costumam ser interessantes justamente porque, de forma mais ampla, elas servem como uma grande metáfora pra vida e tudo aquilo que aprendemos, ganhamos, perdemos, deixamos pra trás. On The Road não tem isso, como seus personagens não parecem particularmente interessados em nada além de bebidas, festa e sexo sem compromisso. Não é por acaso que, ainda hoje, o típico fã de Kerouac é tido como o homem imaturo que não quer nada da vida além de curtição – e se eles continuam a existir, que seja bem longe de mim.

6. O livro que mais te surpreendeu este ano.
A Trama do Casamento, do Jeffrey Eugenides, foi uma releitura que surgiu sem muita pretensão: era final de ano, eu não queria ficar no limbo com um livro inédito, e então decidi lê-lo pela segunda vez. Ao contrário da primeira, eu não apenas tive vontade de fazê-lo dessa vez, como estava em um momento muito diferente, e acho que tudo isso, no final das contas, terminou por influenciar minha opinião. Se em 2015 ele foi uma questão, um quatro estrelas mais por qualidade do que por gosto, em 2018 A Trama do Casamento se tornou um dos meus livros favoritos de toda a vida, que continua até hoje ao lado da minha cama e para onde ainda quero poder voltar outra vez.

7. Novo autor favorito (que lançou seu primeiro livro neste semestre, ou que você conheceu recentemente).
Ian McEwan – o que parece tão ridículo quanto improvável, mas bear with. Foi só em 2018 que pude ter meu primeiro contato com a obra do autor, depois de compras que não deveriam, mas foram feitas mesmo assim, e embora tenha lido somente um dos livros que comprei, foi o suficiente pra sentir muito, o tempo inteiro. Na Praia, primeiro livro de sua autoria que veio parar nas minhas mãos, conta a história de um casal em sua noite de núpcias, e é uma história bem curtinha, dividida em cinco capítulos, mas é incrível o que ele consegue fazer nesse curto espaço de tempo. Até hoje consigo lembrar perfeitamente das sensações que percorreram a leitura, de como foi me colocar no lugar daqueles personagens tão jovens e ainda assim tão problemáticos, como o final me deixou melancólica. Quando penso nisso, chego à conclusão de que era exatamente o que eu gostaria de conseguir quando escrevo ficção, e por fim só posso mesmo esperar um dia chegar lá.

8. A sua quedinha por personagem fictício mais recente.
Nenhum, infelizmente.

9. Seu personagem favorito mais recente.
Madeleine, de A Trama do Casamento.

10. Um livro que te fez chorar neste primeiro semestre.
O Ano do Pensamento Mágico, da Joan Didion. De todos os livros, esse talvez seja o mais óbvio nesse aspecto, mas porque o momento em que o li também foi muito significativo, foi difícil não me emocionar em vários momentos durante a leitura. Joan Didion fala sobre a perda de maneira muito visceral e viva – o que é irônico em um livro que fala justamente sobre o oposto, mas é verdade. Mesmo que nosso luto parta de relações diferentes, sua dor também era a minha dor e conversava comigo de uma maneira muito profunda. O livro foi a minha forma de tentar lidar com a perda e não foi uma surpresa que tudo sobre ele tenha sigo tão significativo, mas foi importante que a expectativa tenha se tornado real e que ele tenha sido capaz de oferecer o suporte que eu precisava naqueles dias.

11. Um livro que te deixou feliz neste primeiro semestre.
O Ano Em Que Disse Sim, da Shonda Rhimes – uma sugestão da minha psicóloga, que achou o livro bastante interessante e recomendou que eu o lesse. Desnecessário dizer que ela não só acertou muito, como o tom leve e despretensioso com a qual a Shonda escreve me fisgou sem muito esforço. Embora trate de temas um tanto densos, a leitura é realmente muito fluida, de modo que a sensação é sempre muito próxima do que imagino que seria conversar com a Shonda enquanto casualmente tomamos um café.

12. Melhor adaptação cinematográfica de um livro que você assistiu até agora, em 2018.
Call Me By Your Name, sem nem pensar duas vezes.

13. Sua resenha favorita deste primeiro semestre (escrita ou em vídeo).
Não tenho o costume de ler resenhas, fora as que são publicadas no Valkirias, então fiquem de olho. Fora isso, acompanho sempre que posso os canais da Michas e da Analu, e porque elas são incríveis demais no que fazem, fica a recomendação.

14. O livro mais bonito que você comprou ou ganhou este ano.
Acho que o Querido Scott, Querida Zelda, que apesar de não ter capa dura, é bastante bonito por dentro e por fora.

15. Quais livros você precisa ou quer muito ler até o final do ano?
De preferências, todos os comprados e não lidos, e com sorte, alguns da minha lista de desejos, risos.

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2 Comments

  • Reply Yuuxie 25 de julho de 2018 at 3:00 PM

    AAAAA NÃO ACREDITO QUE VOCÊ FINALMENTE ATUALIZOU O BLOG, SUA CREIÇA. VOU ESFREGAR A SUA CARA NO ASFALTO! TE AMO!

  • Reply Tati 29 de julho de 2018 at 9:31 PM

    AAAAAAAAAAAA UM POST NOVO SEU <3 <3 <3
    Dos que você citou, Na Praia foi o único que li e fiquei bem tristinha com ele, mas maravilhoso demaiss!

    Limonada (antigo Novembro Inconstante)

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