MEMES

UM MEME SOBRE CINEMA

A promessa que eu fiz quando decidi que participaria do BEDA em abril – de um jeito meio torto e descompromissado, mas ainda assim – é que eu não me esforçaria para só escrever textos reflexivos, que exigissem muito de mim, e que não permitiria que essa brincadeira se tornasse uma obrigação. Mas eu sou essa pessoa ridícula que espera muito mais de si mesma do que admite em voz alta, e foi com essa mesma pretensão sem sentido que eu sonhei um sonho lindo e absolutamente impraticável de já chegar no segundo dia de desafio com o pé na porta e um textão™ à tiracolo. Não rolou, fica pra próxima. No lugar disso, decidi responder esse adorável meme sobre cinema que encontrei anotado em um caderno (!) do milênio passado, mas que por algum motivo nunca chegou a ser respondido. Ainda não é o post sobre a faculdade de cinema que vocês tanto me pedem, mas enquanto ele não sai (prometo que esse dia vai chegar), acho que essa é uma boa oportunidade pra trocarmos figurinhas e compartilhar dicas, etc etc. Sigam-me os bons.

1. Qual foi o último filme que você assistiu?
Power Rangers. Tenho assistido pouquíssimos filmes desde o começo do ano, uma consequência real da minha total perda de controle e minha absoluta incapacidade de manter o equilíbrio nessa vida, de modo que nas raras vezes que assisti alguma coisa, foi preciso me tirar de casa e sentar a bunda na cadeira do cinema e esquecer, por duas horinhas, o caos que me esperava em casa. Power Rangers não foi uma escolha aleatória, é claro: eu queria escrever sobre o filme, falar sobre ele de uma maneira crítica e entender o quê, afinal de contas, ele representava em 2017. Mas acabou sendo muito, muito mais. Power Rangers é um filme adorável, que consegue se adaptar ao momento que vivemos sem cair em clichês e reinterpretações vazias, mas ao mesmo tempo celebra a essência de uma história que marcou uma geração inteira de crianças nascidas e criadas nos anos 90. Saí do cinema com a alma lavada, o coração batendo com força e a sensação impagável de ter acabado de receber um abraço bem quentinho que vem de dentro.

2. Um filme que você quer muito ver?
São tantos! No momento, acho que Capitão Fantástico, que foi um filme do qual ouvi muito bem a respeito durante a temporada de premiações deste ano e que, curiosamente, parece ser 100% meu tipo de filme, mas que não consegui dar a devida atenção quando deveria. No mais, preciso urgentemente assistir Elizabethtown, porque sinto que minha formação cinematográfica nunca estará completa sem ele.

3. Um filme para chorar?
A Chegada. Ele não é exatamente um filme de chorar, mas foi um filme que me fez chorar muito e sem esforço, que é minha forma favorita de chorar no cinema. Embora eu chore com bastante facilidade, existe uma diferença ímpar entre filmes que fazem isso só porque sim, porque querem que você chore de qualquer jeito, e aqueles que fazem de forma sutil, quando o choro é uma emoção que vem de dentro, genuinamente. A Chegada foi um dos últimos filmes que fez isso comigo, de uma forma muito honesta e sincera, como poucos são capazes de fazer. Além disso, mesmo que você não chore, o filme em si é uma incrível experiência cinematográfica, então recomendo com força.

4. Um filme pra rir?
Eu sou uma pessoa ridícula e sem graça que raramente assiste filmes pra rir, e que quando assiste, odeia cada minuto. Então serei obrigada a passar essa. Por favor, não desistam de mim.

5. Um suspense?
O Bebê de Rosemary. Eu não sou uma pessoa que investe muito tempo assistindo suspense e terror, preferindo, ironicamente, usar esse tempo para assistir séries do mesmo gênero. Não é que eu não goste desse tipo de filme, muito pelo contrário; a mitologia por trás dessas produções é algo que me encanta profundamente, e sendo eu o tipo de pessoa que passa horas em sites obscuros da internet sobre assombração e coisas mórbidas em geral, não podia me sentir mais contemplada por essas histórias. Por outro lado, eu sou uma pessoa muito medrosa, do tipo que vira e mexe precisa dormir com a luz acesa e que só muito recentemente passou a conseguir pegar no sono sem a televisão ligada, de modo que o terror e o suspense que eu procuro precisam ser coisas justificáveis, bem construídas, não só um festival de clichês que vão me fazer ter uma péssima noite de sono. O Bebê de Rosemary é exatamente isso: um filme de terror e suspense de verdade, bem construído até dizer chega, que pode ou não te deixar com medo, mas que vai te dar a certeza de ter assistido um puta filme. Infelizmente, ele ainda é um puta filme feito por um estuprador, então né. Podem passar sem.

6. Um filme para ver com a família?
A Noviça Rebelde. Minha mãe e meu padrasto são absolutamente apaixonados por cinema antigo – não de um jeito pretensioso, mas como o espectador padrão que assiste e gosta daquilo que vê. Eles não precisam saber quem dirigiu aquilo, não precisam saber qual o papel daqueles filmes na história do cinema, muito menos o que fazem aquele um filme tão bom: eles simplesmente sentem e isso é suficiente. É algo que admiro profundamente e que gosto de ver acontecer. Assim, sempre que escolhemos algo para assistir juntos, normalmente apostamos em títulos da era de ouro de Hollywood. As chances de erro são mínimas, pra não dizer inexistentes. A Noviça Rebelde entra nesse grupo, mas existe ainda o adicional dele ser o meu filme favorito, um favoritismo que é também compartilhado pela minha mãe, além de ser um musical, de modo que a diversão é certeira para todos nós.

7. Um romance?
Like Crazy. É um romance triste e sofrido de dois jovens que se conhecem durante o intercâmbio de um e são separados pelas fronteiras de seus países – ela, impedida de retornar aos Estados Unidos por ter continuado no país mesmo após seu visto ter expirado; ele, que não pode jogar tudo pro alto de repente e correr para construir uma vida do zero na Europa. É um filme muito triste porque, ao longo dele, percebemos que a distância é um problema muito pior do que a gente imagina, e que mesmo que os dois se amem profundamente, o amor que eles sentem, de pouco em pouco, se torna algo idealizado, que não encontra espaço na realidade de cada um. Eles se amam, brigam, desbrigam, e se amam mais um pouco, mas ao final, aquele romance não é possível de acontecer, não da forma como eles gostariam e sonharam ao longo do tempo. É um filme especialmente triste por ser muito real, uma história cheia de silêncios e cenas que provam que a ficção, afinal de contas, é uma grande imitação da realidade.

8. Um filme lindo?
Orgulho e Preconceito. Um filme adorável, com gente adorável, paisagens adoráveis e que conta uma história absolutamente adorável. Não tem como dar errado.

9. Um filme para morrer de medo?
It. Nem lançou ainda é já estou apavorada, salve-se quem puder.

10. Um filme de ação?
Qualquer um de super-herói porque eu sou óbvia desse tanto mesmo, me deixem.

11. Um filme que não vale à pena?
Aliados. A premissa do filme é maravilhosa: casal de espiões se conhecem durante a Segunda Guerra e enquanto fingem ser um casal, acabam se apaixonando de verdade e construindo uma vida após a guerra. Contudo, alguns anos depois, o passado de um deles volta para assombrar a doce e apaixonada vidinha de classe média européia que eles vivem. O filme se constrói em torno de uma única questão: seria a esposa do personagem principal uma espiã inimiga que se fez passar por aliada, ou tudo não passa de um grande mal entendido?; uma questão forte o suficiente para instigar o espectador a passar quase duas horas acompanhando o drama daquelas pessoas. No entanto, toda a história é tão mal construída que, de repente, você simplesmente não se importa – e aí, inevitavelmente, começa a contar os minutos para o filme acabar. Uma chance desperdiçada, infelizmente.

12. Um filme para o feriado?
La La Land. Tenho a impressão de que tudo que poderia ser dito sobre La La Land já foi dito, inclusive neste blog, de modo que não faz o menor sentido continuar batendo nessa tecla. Mas eu sou uma defensora ferrenha dos musicais, dos sonhos e dos filmes que fazem nossos corações baterem com força, e La La Land é exatamente um desses casos. Ele pode não ser o filme mais perfeito do mundo, pode ignorar uma porção de problemas estruturais da nossa sociedade ao celebrar um modelo cinematográfico repleto de figuras brancas e privilegiadas, mas eu ainda acho que, às vezes, nós precisamos deixar a problematização um pouco de lado e simplesmente admirar o que está na tela: os cenários, os números musicais, os atores tão belos que chega a doer; e é exatamente esse tipo de momento que o filme proporciona. Ele não é ciência de foguetes, não é uma produção demais, mas ainda é o filme perfeito pra quando o que a gente mais precisa é um coração quentinho e pessoas lindas sendo lindas só porque sim.

13. Uma animação?
A Pequena Sereia. Sendo bem sincera, essa não é nem a minha animação favorita, mas ultimamente eu tenho pensado um bocado sobre o filme e, principalmente, sobre a Ariel, e como ela é uma personagem mal interpretada pelas pessoas de modo geral. Ainda quero falar mais sobre essas reflexões que tenho feito sobre ela, quem sabe escrever um texto sobre em algum momento, mas tudo isso tem me feito voltar minha atenção para a animação e relembrar essa história que é, sim, muito maravilhosa (embora continue não sendo uma favorita). É também um excelente momento pra gente se perguntar QUE PALHA ASSADA É ESSE QUE MUDARAM A LETRA DE PRATICAMENTE TODAS AS MÚSICAS DA VERSÃO ORIGINAL, EM PORTUGUÊS. Baby Sharon (aka euzinha) está revoltadíssima, com toda a razão do mundo.

14. Um filme que todo mundo tem que ver?
Os clássicos do cinema, de um modo geral, não só do cinema norte-americano, mas de outros países também. Odeio falar sobre isso porque me sinto extremamente pedante, uh lá vem a estudante de cinema falar sobre clássicos, mas eu acho que todos esses filmes realmente têm um bocado a nos dizer e ensinar, não só sobre cinema, mas sobre a vida, sobre uma época, sobre pessoas. E é lindo ver isso acontecer. Então assistam filmes antigos e, principalmente, não tenham medo de filmes antigos. Eles são incríveis, de verdade.

15. Um filme que você assistiu três vezes ou mais?
O Demônio das Onze Horas, que é um filme que eu já amava antes mesmo de assistir. Não é meu favorito do Godard, mas por algum motivo foi o que assisti mais vezes, e o que continuo assistindo sempre que possível. É uma história que já conheço de cor e salteado, mas que nunca deixa de me emocionar em algum nível, que sempre me encanta em outros níveis, e que conversa muito de perto comigo. Espero que esse sentimento nunca vá embora.

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