VIDA DE FANGIRL

UM PEQUENO REGISTRO DE SONHOS

Há coisas nessa vida que podemos tomar como certas – uma delas é que piscianos sonham demais. Quando digo que piscianos sonham demais, estou dizendo isso de forma literal e também metafórica; nós sonhamos o tempo inteiro, de um jeito que desconhece limites e sem qualquer compromisso com a realidade (pois lógico), mas que muitas vezes se parece tanto com ela que difícil é aceitar que aquilo jamais aconteceu. Me parece o tipo de coisa com chances altíssimas de se tornar problemática, principalmente porque sonhos são perfeitos de um jeito que a realidade jamais vai ser, e é muito fácil se deixar levar por esse infinito de possibilidades. Um dos meus filmes favoritas conta, não por acaso, a história de um casal – na verdade é a história do cara, mas o relacionamento entre os dois é o ponto central da coisa toda – que tem seu casamento e a vida que conhecia destruído por… sonhos. No filme, Don é um ladrão que invade os sonhos das pessoas para roubar segredos ou implantar ideias, em um universo onde muita gente literalmente pagava pra sonhar. A história é complexa pra caramba, com direito a um milhão de dimensões de sonhos e sonhos e mais sonhos, mas a grande questão paralela da vida de Don é que aquele mesmo trabalho tirou a vida de sua mulher, e ele se culpa, não sem alguma razão, por tê-la jogado naquele mundo, ao ponto dela já não ser mais capaz de distinguir fantasia e realidade.

Gosto de como o Nolan (se não ele, quem?) constrói esse universo de um jeito meio cínico, que não enxerga sonhos como algo necessariamente bom ou ruim, mas um híbrido entre as duas coisas. A gente passa muito tempo dizendo que sonhos são importantes, preciosos, que a gente precisa sonhar acima de qualquer coisa, e eu acredito muito nisso na maior parte do tempo. Mas e se não? E se eles também forem perigosos pra caralho? Eu, por exemplo, acredito muito em todas essas coisas – sobre a importância dos sonhos, etc etc – e ainda assim tive momentos de me entregar ao mundo que era criado na minha cabeça, ao ponto de literalmente querer fechar os olhos e dormir o tempo inteiro porque tudo na minha mente parecia tão melhor. É assustador, mas ainda é um ponto que a gente deixa passar quando romantiza a coisa toda; ninguém te diz que isso existe de verdade, ninguém diz como nossa mente é perigosa até que ela saia de controle. O que não significa que sonhos não sejam importantes – apenas que existe mais sobre eles do que normalmente nos dispomos a ver. Nossa mente não produz nada por acaso, eis aí um fato, e é bacana prestar atenção naquilo que ela diz; às vezes pode ser simplesmente que você tem uma crush pelo Harry Styles, mas também pode comunicar coisas mais importantes, como medos que a gente tem e nem sempre entende, ou qualquer coisa assim. Não entendo tanto de sonhos quanto gostaria, mas tenho uma memória muito boa e um apego especial por alguns deles, de modo que o post de hoje nada mais é do que um registro daquilo que se passa na minha cabeça quando estou dormindo.

1) SONHO 01: Rolando na grama com Sam Winchester
É uma verdade universalmente conhecida que a melhor forma de confirmar uma crush é… sonhando com ela. Não tem erro: você acha a pessoa bonita, tem uma quedinha por ela, mas então, e só então, sonha com ela e aquilo que antes era uma atração meio besta se transforma na crush do milênio – ou da semana. Dizem que nosso cérebro não é capaz de criar rostos, de modo que as pessoas com as quais sonhamos possuem características já conhecidas, que podem passar despercebidos para nós, mas não pra nossa mente. Eu sonho bastante com celebridades, o que significa que muito tempo da minha vida é gasto olhando foto dessas pessoas; é parte do meu trabalho e também da diversão. Meu sonho com o Sam Winchester foi assim: a descoberta de uma crush que eu nem sabia que existia. Jared Padalecki é lindo. Jared Padalecki é tão lindo que meu estômago dá cambalhotas só de pensar naquele homem enorme e maravilhoso. Mas Sam Winchester sempre foi aquela pessoa cuja minha admiração e atenção estavam muito mais voltadas para o fato de parecer uma pessoa muito gente boa do que, necessariamente, para o fato de ser lindo de morrer. Até, claro, o dia que sonhei com ele. No sonho, a versão do Sam ainda era a mesma das primeiras temporadas de Supernatural, o jovem de vinte e poucos anos com cabelo bonito e sorriso encantador, que queria ir para uma boa faculdade e viver uma vida normal. Era uma versão que eu odiava, sobretudo por ser tão distante da família, por negar o family business e querer ter uma vida diferente. O que é um desejo muito genuíno, é claro, mas que me parecia idiota pra alguém que vinha de uma família tão maneira apesar de todos os pesares. Então o sonho mudou tudo. Nele, eu e Sam estávamos deitados em um gramado imenso, longe de tudo e todos, e ele sorria pra mim e me olhava de um jeito que imagino que seja a mesma forma como o Jared olha pra Gwen. Eu me senti profundamente amada, de um jeito lindo e meio idiota, e tentava devolver esse mesmo amor em forma de sorrisos sinceros e olhares apaixonados. E só. Não teve confusão, não teve romance proibido, não teve demônio querendo estragar tudo; só nós dois num gramado nos amando demais.

2) SONHO 02: Casando com Dean Winchester
Eu me apaixonei pelo Dean, nas palavras de Hazel Grace, do mesmo jeito que alguém cai no sono: gradativamente e de repente, de uma hora pra outra. E, ainda assim, foi só depois de anos, literalmente anos, que sonhei com ele pela primeira vez. No sonho, eu chegava na porta de uma igreja abandonada, vestindo moletom, jeans e um tênis, o cabelo preso meio de qualquer jeito, e quando finalmente entrava na igreja, o Dean estava lá, me esperando, com seu combo de camiseta/camisa/parka e o sorriso mais lindo do mundo estampado no rosto. “Você estava me esperando?”, eu me perguntava enquanto um sorriso começava a surgir no meu rosto; e ele respondia de volta, apenas com o olhar, como quem diz “sim, sim, sim”. Então o tempo pareceu suspenso, e mesmo que na minha cabeça uma voz repetisse que aquilo não poderia ser verdade, que aquilo jamais aconteceria sob qualquer circunstância, eu não me importei. Eu não me importei e fiquei ali, pelo o que pareceu um pequeno infinito, sorrindo feito idiota, quase sem conseguir me conter de tanta felicidade. O sonho acabou antes mesmo que eu tivesse a chance de walk down the aisle e ter uma aliança colocada no meu dedo, mas naquele pequeno espaço de tempo, eu acreditei estar vivendo aquela cena, e foi eterno enquanto durou – um eterno precioso e pequenino, que guardei com carinho no meu coração, quase como se a vida toda tivesse esperado por esse momento; e esperei de fato.

3) SONHO 03: Fugindo de alguma coisa com o Jared Leto
Um dos meus maiores medos nessa vida é ser perseguida – pelo menos, é isso que meus sonhos dizem. Desde pequena, tenho pesadelos horrorosos com pessoas estranhas que me perseguem, e quando tento gritar por socorro, minha voz jamais sai; ou então com situação mais dramáticas em que literalmente alguém quer me matar e eu preciso tentar sobreviver. Já perdi as contas de quantas vezes sonhei que Lord Voldermort queria me pegar ou que fugia de regimes totalitários que queriam me ver morta e enterrada. Às vezes, dou a sorte de encontrar nesses cenários pessoas que me ajudam ou simplesmente decidem percorrer essa jornada macabra junto comigo, exatamente o que o Jared Leto fez. Sem saber como ou por quê, ele estava ao meu lado, me ajudando enquanto fugíamos, os dois, de algo que a essa altura já não me lembro mais (um bruxo das trevas? um ditador maluco? um assassino de aluguel? são questões). O medo era um sentimento real e constante, e nós fugíamos, pulávamos telhados, nos escondíamos em lugares improváveis e escuros, numa aventura com hora certa para acabar. Como num filme B, eventualmente nós acabávamos nos apaixonando, e foi lindo e intenso enquanto durou, mas como todo sonho, chegou ao fim – tal qual minha crush, que foi perdendo força à medida que eu descobria que o Jared da vida real não era um cara tão bacana assim.

4) SONHO 04: Filha do David Bowie
Uma das maiores falhas da minha formação musical foi nunca ter tido um contato mais profundo com a vida & obra de David Bowie. Em uma família que sempre me apresentou artistas de décadas passadas e me incentivou a curtir essas coisas, independente do que fosse dito fora de casa, é irônico que Bowie nunca tenha aparecido de forma significativa nessa construção de gostos que me acompanham até hoje. Estou cercada de pessoas completamente obcecadas pela obra do artista e pelo seu trabalho em diferentes âmbitos; o fato de nunca ter me aproximado dele não fazia sentido algum. Quando faleceu, eu vi meus amigos e pessoas próximas lamentarem, e eu lamentei também; um sentimento totalmente gratuito que fazia com que eu me sentisse uma mentira perto dos verdadeiros fãs de David Bowie. À época, lembro de ver uma foto lindíssima dele com a Iman e a filha dos dois, o que me fez lamentar profundamente. Não era só o mundo que perdia um grande artista, não eram só os meus amigos que perdiam um ídolo; um pai, um esposo, um amigo também eram perdidos ao mesmo tempo. Na mesma semana, eu tive um sonho muito bonito em que o Bowie era meu pai, e ele era um pai tão, tão legal e amoroso que foi difícil acordar e, de repente, ter a realidade jogada na minha cara: eu não apenas não era filha do David Bowie como ele nem sequer estava vivo. O sonho, entretanto, fez com que minha admiração gratuita por ele crescesse; se ele foi ou não o pai amoroso e dedicado com o qual eu sonhei, é uma coisa que jamais vou saber, mas no fundo, não consigo imaginá-lo de forma diferente.

5) SONHO 05: Stalker do Tiago Iorc
A essa altura, chega a ser meio idiota pensar que um dia eu não apenas sonhei com o Tiago Iorc, como fiz o papel ridículo de stalker, que não parava de seguir o cara por um minuto sequer, quando a única coisa que consigo pensar quando olho aquele belo rosto é que ele deveria voltar a ser um artista menos conhecido e longe da péssima influência da Tatá Werneck, mas divago. No sonho, Tiago era um rapaz muito, muito legal mesmo, mas cujo interesse não estava na minha pessoa – pelo menos, não o tempo inteiro. Nossa relação era um pouco confusa, porque ao mesmo tempo que me lembro de persegui-lo de um jeito que às vezes fazia com que eu me sentisse num papel realmente ridículo, em outros momentos nós éramos apenas colegas de trabalho ou conhecidos, que conversavam de forma amigável quando estavam no mesmo ambiente – a única diferença é que eu não queria ser apenas uma colega de trabalho ou mera conhecida, enquanto ele parecia se satisfazer plenamente nessa perspectiva. Lembro de vê-lo se interessar por outra garota cujo rosto não lembro qual é, e eu me sentir trocada e injustiçada por passar tanto tempo sendo legal quando ser legal não me deu nada em troca; então o sonho acabou e eu voltei a viver feliz minha vida em que o amor é um lugar infinitamente mais seguro e gentil.

6) SONHO 06: Show do Harry Styles
Eu, Anna Vitória, Analu Bussular, Paloma Engelke e Michas Borges invadindo o camarim do Harry Styles e fingindo ser da produção do show, observando tudo meio de longe, com o coração batendo com força e nos enturmando com pessoas que nem imaginavam quem a gente era de verdade. Ainda lembro como foi a primeira vez que vi o Harry de pertinho, só o batente da porta separando nós dois enquanto ele dava uma entrevista, e ele me viu ali e sorriu, do jeito lindo como só ele sorriria, e eu sorri de volta meio sem graça, voltando aos meus afazeres logo em seguida. Por algum motivo que não me lembro mais, acabei perdendo o show, mas foi um sonho delicioso e memorável, e eu gosto como na versão da minha cabeça o Harry é sempre uma pessoa doce e absolutamente adorável, algo que, no fundo, acredito que ele seja de verdade.

7) SONHO 07: Visita do Jensen Ackles e do Jared Padalecki
Um dos meus maiores medos (medo, na realidade, é um jeito meio exagerado de colocar a situação, mas bear with me) é receber a notícia sobre o fim oficial de Supernatural. São anos, literalmente anos, sendo assombrada por esse possibilidade, que ganha cada vez mais força à medida que o tempo passa: já são dez anos de história, afinal, e eventualmente esse ciclo também terá que ser fechado. A cada temporada que passa, no entanto, me sinto menos preparada para o momento em que isso vai acontecer, algo que só piorou quando a coisa toda pareceu ganhar contornos mais sérios, e as conversas sobre um possível fim, de fato, começaram a se tornar uma realidade. A visita de Jensen e Jared, ainda que só em sonho, serviu pra acalmar meu coraçãozinho e dizer que tudo bem, tudo chega a um fim, mas isso não é necessariamente ruim. Nele, os dois vinham ao Brasil para uma despedida e passavam na minha casa para passar alguns dias comigo e a Thay – alguém que também os ama profundamente, mas lida com o fim infinitamente melhor do que eu. Dessa vez, não havia qualquer traço de romance, mas sim uma amizade bonita e sincera entre nós quatro, e eu me senti profundamente amada durante todo o tempo. Foi um sonho longo em comparação aos outros, onde muitas conversas foram jogadas fora e nós passamos horas explorando lugares, jogando jogos de tabuleiro, trocando abraços, confidências e dando risadas até o dia que eles inevitavelmente tiveram que ir embora. Foi triste, mas não só triste, e embora fosse muito difícil dizer adeus, eu me sentia incrivelmente em paz por deixá-los ir em busca de novas aventuras. De certa forma, foi como fazer as pazes com algo que eventualmente vai acontecer, e vai ser difícil e triste demais, mas muito especial também, e hoje já consigo ser grata por ter tido a oportunidade de amar a série e seus personagens e sofrer pelo fim iminente porque isso só significa que foi bom demais enquanto durou.

8) SONHO 08: Descendo por um corredor/escorregador com infinitas portas
De todos, esse talvez seja o sonho mais antigo e também o mais memorável, ainda que até hoje eu não faça a menor ideia do que ele significa. Como diria a Madonna, não tinha começo, muito menos um fim; de repente, eu estava escorregando por um imenso corredor, que mais parecia a pista do arco-íris do Mario Kart, e de um lado e do outro haviam infinitas portas que eu sequer podia tentar entrar, já que escorregava rápido demais para conseguir segurar na maçaneta de qualquer uma delas. Então eu fiquei ali, escorregando ad infinitum, ao lado de criaturas esquisitas, porém inofensivas, sem nunca chegar a lugar algum. Até hoje não sei como esse sonho terminou, muito menos se cheguei em algum lugar de tanto escorregar, ou, ainda, que diabos significa escorregar entre um milhão de portas, mas fica o registro.

9) SONHO 09: Harry Styles, o cara mais legal do mundo
Eu não lembro como, muito menos quando comecei a me interessar pelo Harry e ter uma crush assumida por ele, mas sei exatamente por quê isso aconteceu: o Harry é um cara legal. Ou finge muito bem ser, de modo que é impossível não se apaixonar. Existe algo realmente especial naqueles olhos, naquelas tatuagens horrorosas e principalmente naquele sorriso que poucos caras com os quais sonhei um dia, tem. O Harry me dá a impressão de ser uma pessoa muito gente boa de verdade e com a cabeça no lugar, do tipo que eu adoraria ser amiga, colega, o pinguim da geladeira. Seu álbum (ainda vou falar sobre ele, prometo) reforçou essa impressão, que já vinha desde a época do One Direction, e hoje só posso sentir muito pelos meus sentidos terem me enganado tão fortemente ao ponto de eleger o Zayn como meu favorito. Mas essa é outra história. Nesse sonho especificamente, eu e o Harry nos amávamos demais, de um jeito muito sincero e poético, como eu imagino que amar o Harry seja também. Desde o lançamento do seu álbum, tenho imaginado histórias para as canções ali contidas – algo que faço com frequência, mas que me dediquei a fazer especialmente nesse caso – e acho que, de certa forma, sonhar com ele foi a concretização dessas histórias meio idiotas que só existiam na minha cabeça e onde eu podia me permitir ser a protagonista ou qualquer coisa assim. Gosto de lembrar que, mesmo sendo um ano mais novo do que eu, ele agia como um cara realmente maduro, gente boa e especial, como ele era apaixonado – não só por mim, mas pela vida – e como por alguns minutos, a fantasia pode se tornar realidade.

10) SONHO 10: Jared Padalecki no aeroporto
Percebo agora que, ainda que o Jared não seja exatamente uma crush na minha vida, ele aparece com demasiada frequência nos meus sonhos – o que significa, muito provavelmente, que passo tempo demais com ele na minha cabeça, risos. Nesse caso, mais uma vez, nós não éramos amantes, mas duas pessoas que se conheceram de forma casual no aeroporto e decidiram passar o tempo que esperavam jogando conversa fora. No sonho, eu estava com a Thay, voltando de uma viagem aos Estados Unidos, e nós esbarramos com ele no aeroporto, enquanto esperávamos o nosso voo. Como sempre, Jared foi uma pessoal totalmente adorável, nos convidou para tomar um café – que acabou se transformando numa conversa de horas e horas e horas – e ainda esperou que eu fizesse compras numa farmácia, indecisa demais com todas as opções disponíveis. Nós conversamos sobre a Gwen, conversamos sobre seus filhos, seus trabalhos, e sempre que eu falava alguma bobagem, ele ria alto, como se fosse a coisa mais engraçada que ele havia ouvido em anos. Eu não sou uma pessoa engraçada, eu sequer me acho uma pessoa interessante, mas junto com o Jared eu quase acreditava que não só era essas duas coisas, como era com bastante força. Mais uma vez, o sonho acabou de repente e sem grandes explicações, me deixando com aquela sensação maravilhosa de que, ao menos por alguns instantes, eu quase fui melhor amiga de Jared Padalecki himself.

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