BEDA, CINEMA E TV

VAMOS FALAR DE CINEMA

Ou: Um post meio chato pra um domingo meio chato. 

Esses dias, voltando da faculdade, lembrei que quando eu era mais nova e ainda sonhava em ser uma rockstar (é claro que sonho com isso até hoje), uma das minhas opções, caso cantar numa banda de rock não desse tão certo quanto meus sonhos pré-adolescentes me faziam crer, era trabalhar com vídeo clipes. Essa foi a alternativa que eu encontrei para continuar trabalhando com música de um jeito interessante e criativo, ainda que eu não tivesse muita noção de como as coisas funcionavam de fato. Como motivação, eu tinha apenas minha vontade de contar histórias e meu ódio mortal por músicas boas com clipes ruins, e isso, na época, era mais que o suficiente.

Gosto sempre de falar disso antes de começar a falar do meu amor por cinema porque as pessoas sempre têm uma história legal pra contar sobre quando elas eram jovens e descobriram o que queriam fazer da vida, e no fundo sempre achei que não tinha nada pra dizer nesse sentido. Mas eu tinha. E isso foi importante na medida que me fez entender, em especial durante minhas crises acadêmicas, que eu estava seguindo o caminho certo, ainda que às vezes ele parecesse tão errado, e que talvez eu tivesse sim talento pra alguma coisa, mesmo duvidando de mim o tempo inteiro. No fundo, eu sempre achei que gostar de cinema tinha sido uma descoberta feita na faculdade, enquanto eu aprendia coisas sobre o assunto e me identificava de alguma forma com aquele universo, quando na verdade ela só serviu pra reforçar uma coisa que eu já sonhava e amava antes mesmo de saber o que era uma claquete ou quem era David Lynch. A faculdade me fez (e continua fazendo) amar o audiovisual como um todo, não só o cinema, e me ajudou a entender melhor esse mundo, me deu embasamento teórico e uma visão mais ampla que eu não tinha até pouco tempo atrás, e que me ajudou a ter uma perspectiva muito mais realista e possível do que a que eu tinha antes, sem no entanto matar aquela Ana que sonhava em trabalhar com vídeo clipes e que, de um jeito ou de outro, continua vivendo dentro de mim.

Pensando nisso e movida pela sugestão de pauta que a Analu deu antes do BEDA começar, resolvi tirar esse domingo preguiçoso pra falar sobre cinema e compartilhar com vocês algumas coisas legais sobre o assunto que eu vira e mexe encontro por aí. Não sei o quanto vocês se interessam por esse tipo de coisa e sinceramente, as chances desse se tornar o post mais chato dos últimos 200 anos são enormes, mas vamos ter fé de que vai dar tudo certo e vocês vão, pelo menos, odiar tudo com muito carinho, risos. 

LIVROS

1001 filmes1001 Filmes Para Ver Antes de Morrer (Steven Jay Schneider): Gosto desse livro porque ele funciona muito bem pra qualquer pessoa, mas principalmente pra quem está começando a se aventurar nesse universo do cinema. Ele foi desenvolvido por vários críticos, ou seja, caras que entendem do assunto mas que, obviamente, têm gostos diferentes. Isso é interessante porque, ao mesmo tempo que você tem certeza que vai encontrar clássicos como Psicose e Nosferatu, também consegue encontrar coisas não tão óbvias, ou seja, de um jeito ou de outro a gente se obriga a encarar umas coisas diferentes de vez em quando. É claro que algumas produções importantes ficaram de fora, tipo Sociedade dos Poetas Mortos e Cleópatra (não tenho certeza desse, mas acho que não tem), e muita gente odeia o livro por isso. Me questiono por isso? Sem dúvida. Mas no fundo ele é resultado daquilo que um grupo específico de pessoas julga importante e interessante, não uma lista absoluta dos melhores filmes de todos os tempos. E gosto a gente sabe que não se discute. O livro é todo ilustrado e os filmes sempre vêm acompanhados de uma pequena resenha, além de curiosidades gerais sobre produção, elenco, etc, que de alguma forma ajudam a gente a entender melhor o contexto em que cada filme foi produzido. Ele não é um livro técnico, de longe não vai mudar a vida de ninguém, mas é bem divertido e ajuda bem a gente a treinar o olhar e arriscar mais nas escolhas.

LOS_ANGELES_1351906086BLos Angeles (Marian Keyes): É um livro de ficção e meu segundo contato com uma autora que hoje amo de paixão. Los Angeles conta a história de Maggie, uma mulher de 30 e poucos anos super certinha, que depois de descobrir que o marido estava pulando a cerca, resolve tocar o foda-se e passar um tempo com sua melhor amiga em Los Angeles. Emily, a amiga, é roteirista, e foi a primeira pessoa a me mostrar que Hollywood não era um lugar tão bacana assim quanto suas produções gigantescas me faziam acreditar, mas sempre de um jeito engraçado e gostoso, que me fazia querer abraçar aquelas pessoas e passar a noite jogando papo fora, tomando vinho de shortinhos e pés descalços. Foi com esse livro que eu descobri que ser roteirista era uma opção bacana e, mais importante, possível. Hoje essa é uma das áreas que eu mais gosto e, incrivelmente, uma das poucas que me faz ter a sensação de que eu sei exatamente o que estou fazendo. Mas muito mais do que isso, Los Angeles é também sobre o crescimento pessoal de uma personagem, que se obrigou a sair da própria zona de conforto e fazer tudo diferente, que se divertiu pacas no processo mas quebrou a cara na mesma medida – mais ou menos como Los Angeles, de um modo geral. 

HOLLYWOOD_1233545527BHollywood (Charles Bukowski): Vale um que ainda não li, mas morro de vontade? Vale sim, senhor. Aqui, o “Velho Safado” fala de sua experiência ao aceitar escrever o roteiro de um filme e de toda a sujeira da indústria cinematográfica que se esconde atrás do glamour hollywoodiano. Além disso, o livro também fala sobre a dificuldade e as humilhações que os roteiristas, em especial, precisam enfrentar para verem seus filmes saírem do papel e virar uma produção de verdade, um assunto que também é tratado em Los Angeles de uma forma muito bacana e que eu gostaria muito de ver como foi abordado aqui. “Hollywood” é um livro de ficção, mas que conta a história real vivida pelo próprio Bukowski quando escreveu o roteiro do filme Barfly – Condenados pelo Vício, que sim, também existe de verdade e foi dirigido por Barbet Schroeder, em 1987. 

GAMES

la noiire

LA Noire é meu jogo preferido da vida e, não por acaso, segue uma das minhas estéticas preferidas do cinema: a do filme noir. Ele é ambientado na Los Angeles pós Segunda Guerra, quando o cinema americano teve seu auge, e boa parte dos crimes que precisam ser desvendados envolvem falcatruas nos estúdios, diretores pedófilos que abusam de suas atrizes, drogas e corrupção, de um modo geral. Algumas coisas são bem nojentas, mas o jogo é muito legal e realista também, já que foi todo feito com uma técnica muito louca que sinceramente não sei o nome, mas que envolve gente atuando de verdade – inclusive algumas pessoas bem conhecidas. Recomendo bem. 

INTERNET

Carol Moreira: A Carol é formada em Audiovisual pela UnB, trabalha no Omelete e tem um canal no Youtube que é de longe um dos meus preferidos. Lá a gente pode assistir vídeos aleatórios e algumas groselhas, além de coisas relacionadas ao universo de Game Of Thrones, o que eu recomendo muito muito, porque a Carol fala disso como ninguém. Mas ela é formada em Audiovisual, então é claro que ela também fala sobre isso. Adoro que ela vez ou outra responde as perguntas do pessoal que quer trabalhar com cinema e desmistifica uma porção de coisas erradas que a gente pensa sobre um curso desses, mas sem nunca passar a mão na cabeça de ninguém. É a Carol que vai te dizer, por exemplo, que você não vai morrer de fome e que se você se especializar em edição, vai poder trabalhar em praticamente qualquer canto, mas que set é uma coisa que só funciona mesmo no Rio e em São Paulo. 

Pablo Villaça: Conheço poucas pessoas tão pedantes quanto o Pablo, mas reconheço que ele pode ser bem bom pra falar algumas coisas. Pra quem não sabe, o Pablo é crítico de cinema e daí cês já podem imaginar que ele sabe bastante coisa. O canal dele foi indicação de uma amiga da faculdade e é uma extensão do seu blog – que é igualmente pedante, mas muito bom em vários sentidos. Apesar de não acompanhar com tanta religiosidade como acompanho a Carol, por exemplo, acho importante indicar, especialmente pra quem gosta de um papo mais técnico de vez em quando. 

Lully de Verdade: A Lully é uma grande questão na minha vida. Ela é formada em cinema e tem um blog onde basicamente faz resenha de filmes, além do canal, que é a parte que eu gosto mais porque é bem mais abrangente. Lá ela fala sobre filmes também, mas vira e mexe posta umas coisas mais alternativas, tipo quando ela falou sobre o fim do cinema de rua, que foi um vídeo bem bacana e importante. Outra coisa que curti muito foi quando ela falou sobre as categorias do Oscar e o que cada uma delas significava, e eu sempre indico essa série pra quem curte muito a premiação mas não entende muito do assunto. Às vezes ela fala umas coisas meio absurdas, mas a gente releva e segue com o baile.

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8 Comments

  • Reply Thay 23 de agosto de 2015 at 8:14 PM

    Tem uma área do cinema (e do teatro) que sempre me chamou a atenção, e é cenografia. Acho que nem tem tanta relação com seu curso, mas é algo que sempre gostei de ler sobre, fuçar mesmo. Aqui em CWB até tem uma pós nessa área e sempre fico tentada a me inscrever, mas, né, falta tempo (e um pouco mais de coragem).

    De qualquer forma, sobre o seu post (que está longe de ser chato!), gostei dos links e do que falou sobre. Já havia assistido a esse vídeo da Carol porque sempre tive curiosidade, e foi bastante esclarecedor. O livro 1001 Filmes Para Ver Antes de Morrer eu SEMPRE pego e folheio quando estou na livraria. Tenho vontade de comprar um dia e seguir por ordem todos as produções listadas (do jeito que assisto filmes, haha, vou ficar o resto da vida riscando os itens da lista).

    Um beijo!

  • Reply Alessandra Rocha 23 de agosto de 2015 at 8:50 PM

    Que legal Ana! Não sei o que você faz na faculdade (#shame) mas acho cinema/audiovisual uma coisa tão incrível que meti os pés e to felizona com meu canal <3

    Como trabalhei em livrarias eu sempre pegava esses livros de 1001 coisas pra ler/ver/fazer antes de morrer e ficava tipo wow QUANTA COISA, dá vontade de ver tudo na mesma proporção que dá uma preguiiiiiiiça hahhaa mas gostei muito do jeito dessa Lully de explicar as coisas!

    beijo!

  • Reply Passarinha 24 de agosto de 2015 at 12:19 AM

    Amiga, super curti seu texto. Eu gosto muito de cinema, mas entendo absolutamente nada. Tenho uma edição de 1001 filmes para ver antes de morrer e já fiz centenas de planos de começar um projeto com base nele pra aumentar minha cinematográfica, mas nunca arrumo energia pra começar #shame

    Adorei as dicas, principalmente os canais do youtube. Vou assistir todos pra ver se eu fico um pouco mais entendida.

    Te amo <3

  • Reply Analu 24 de agosto de 2015 at 12:42 AM

    Miga, cê sabe que eu como cinéfila sou uma ótima amiga, né? Sei que isso é praticamente uma falha de caráter, ainda mais para alguém formado em comunicação, mas enfim, não se pode ter tudo, segue o barco, sabe? Mesmo assim adorei seu post, até GAME você indicou, gente! E a papagaia (rs) por mais pedante que seja fala umas coisas bacanas de vez em quando mesmo.

    Te amo! <3

  • Reply Plan 24 de agosto de 2015 at 2:48 AM

    Ai que tema maravilhoso. Sou uma grande entusiasta do cinema, mas entendo vários nadas, então essas dicas e sugestões estão sendo ótimas. Tenho uma edição de 1001 filmes, mas tenho certeza que não vi nem 50 :(

    Esse jogo: já estou providenciando porque amo jogos de crimes e mistérios e to com um feeling bom sobre esse.

    Eu gosto muito da Carol Moreira, conheci ela por causa do Tavião e apaixonei. Odeio muito Pablo Villaça, mas sei que ele é fera em cinema, então aguento, mas não consigo gostar de Lully! Me ajuda! Acho que preciso tentar mais, não sei.

    Enfim, amiga, acho que tu precisa seguir com essa ambição cinematográfica, tenho um bom pressentimento sobre isso #humanas

    TE AMO <3

  • Reply Yuu 24 de agosto de 2015 at 2:58 AM

    A verdade é que sou tão leiga em cinema quanto sou em música, mesmo que eu adore os dois, e achei o seu post bastante informativo! Já folheei esse 1001 filmes para ver antes de morrer inúmeras vezes na livraria e fico tentadíssima a comprá-lo (junto com o 1001 livros para ler antes de morrer) e abraçar esse desafio. Nunca é tarde para desenvolver um gosto e aprender mais sobre diversas coisas, né? Depois vou ver os vídeos com calma. Me interessei pelo canal da Carol Moreira pelo que você escreveu. :)

    Beijinhos. :*

  • Reply Anna 24 de agosto de 2015 at 2:50 PM

    Amiga, eu super vivi uma fase na minha vida em que eu queria “fazer cinema e ser a tal”, igual na música do Chico Buarque. Eu tinha listinha de cineastas pra conhecer, e comia toda informação possível sobre cinema. Lia críticas, estudava mesmo. Aí eu enchi o saco? De repente percebi que estava sabendo demais e me divertindo de menos, sabe? Aqueles filmes de arte foram me enchendo o saco e perdi o tesão pela coisa. Não deixei de gostar por cinema, de forma alguma, mas a forma como eu tratava isso mudou bastante. Como ainda escrevo sobre isso acabo tendo que ler sobre os filmes também, mas sem neura. Curtia pacas o Pablo Villaça (pra você ver como eu era legal), mas fui enchendo o saco e hoje não suporto nem passar perto (mas as análises dele de Breaking Bad: <3).

    Você já jogou o What The Movie? É um jogo super simples, ele te dá o frame dos filmes e você tem que adivinhar de onde ele vem. Eu era VICIADA nisso na minha fase áurea de cinéfila, é muito viciante. Fica aí a dica.

    beijo!

  • Reply Couth 24 de agosto de 2015 at 4:16 PM

    Amiga, eu ameiii que você indicou jogo, e estou morrendo de vontade de largar tudo e jogar!!! Adoro jogos de crimes, por motivos óbvios, e adoro esse clima noir também, hahaha.

    Vou tentar dar um jeito de jogar isso, urgente!

    Beijo

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