VIDA DE FANGIRL

WELCOME TO 1989, IT’S BEEN WAITING FOR YOU

Teve uma época da minha vida que eu adorava passar as tardes em casa, jogada no chão do quarto, ouvindo os álbuns das minhas bandas preferidas. Uma-duas-três vezes, de trás pra frente, da frente pra trás, até decorar todas as letras o suficiente pra cantar bem alto, sem medo de ser feliz. Foi uma época muito gostosa, mas que acabou, de forma que hoje raras são as vezes que tenho paciência (e, especialmente, tempo) pra me dedicar desse jeito.

A questão é que algumas semanas atrás eu tive um sábado particularmente ruim. Acordei com uma cólica absurda que tomou conta do meu útero e me deixou na cama o dia inteiro, morrendo de tédio. Deus sabe que o que eu mais queria nesse mundo era ter curtido um pouco o dia de folga, mas o que eu ganhei foi um dia deveras rabugento. E daí que sem ter muito pra onde correr, fui atrás de baixar o novo álbum da Taylor Swift, o tal do 1989, e ver de qual é.

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De cara eu já sabia que não iria receber um repeteco de Red (um dos melhores álbuns dessa vida, por favor) e isso me deixou meio receosa. Não é que eu não confiasse no taco da moça, vejam bem, mas eu sou meio resistente à mudanças, musicalmente falando. Sou a primeira a torcer o nariz quando uma banda/artista que gosto muito resolve se arriscar em caminhos diferentes, e já perdi as contas de quantos deles deixei de gostar depois de um trabalho que fatalmente deu errado (pra mim) e acabou por colocar um ponto final na nossa relação. E foi por isso que, por mais que eu ame essa nova fase dela (mais madura, posicionada e segura de si), eu tinha medo de que, musicalmente falando, eu acabasse não curtindo tanto o resultado disso. Especialmente depois de ouvir Shake It Off, que apesar de legal, não me cativou tanto quanto, sei lá, We Are Never Ever Getting Back Together. E no fundo no fundo, eu não queria admitir que não tinha gostado de algo com o dedo de Taytay no meio.

Comecei a ouvir 1989 meio desconfiada, mas fiquei feliz em morder a língua e constatar que mudanças, às vezes, são necessárias. Por mais que eu ame a fase country, por mais que Red seja um dos meus álbuns preferidos da vida, Taylor conseguiu fazer da transição um ponto positivo. Fico triste de saber que, muito provavelmente, nunca mais volte a ouvir algo como A Place In This World em um álbum novo da moça, mas não posso deixar de vibrar por, em compensação, ter ganhado uma cantora pop com potencial pra Kanye West nenhum botar defeito.

EXPECTATIVA:

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REALIDADE:

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Eu sei que tô deveras um pouco atrasada e que todos vocês já devem ter ouvido o cd inteiro e tirado suas próprias conclusões. Porém, não posso deixar de registrar minhas impressões aqui sobre as faixas que achei mais interessantes, mesmo que isso seja apenas pra que, daqui alguns anos, eu possa ler esse post e sentir todos esses feels da primeira vez de novo. Vambora!

Welcome to New York: É o resumo de tudo aquilo que a gente vai encontrar pelo resto do cd: batida marcada, letra chiclete, e uma pitada dos anos 80 que não podia ser mais bem-vinda. De cara já quero pular da cadeira e sair dançando pelo quarto, ao mesmo tempo que me imagino colocando os pés na Times Square pela primeira vez e só consigo pensar que the lights are so bright but they never blind me, e que nenhuma música nesse mundo poderia fazer melhor as vezes de trilha sonora pra esse momento ainda escondido em algum lugar do meu futuro. Welcome to New York, it’s been waiting for you, espero poder cantar pra mim mesma qualquer dia.

Blank Space: Foi uma das músicas que menos gostei e confesso que fiquei deveras decepcionada quando soube do clipe, mas mudei um pouco de opinião porque não sou de ferro e ninguém resiste quando Taylor resolve falar de amor. Não posso dizer que é uma das minhas preferidas, mas também não posso negar que uma letra que diz “oh my God, look at that face, you look like my next mistake“, para mais adiante afirmar que “I’m a nightmare dressed like a dream” é maravilhosa demais pra entrar no meu hall de músicas ignoradas. Sem contar que né, se meu próprio namorado veio falar, por livre e espontânea vontade, que curtiu essa música, eu não posso fazer nada senão bater palmas pra essa menina. Sobre o clipe, acho lindo e altamente divertido, e por mais que ele cometa deslizes quando reforça ideias contrárias ao que Taylor vem pregando, não é como se o mundo fosse acabar por isso. Acho a discussão super pertinente e se quiserem a gente pode estender ela nos comentários, mas de uma forma bem simples e resumida, acho muito legal ver ela batendo em teclas como o feminismo e o erro é uma parte do processo de aprendizado. Entre alguns erros e muitos acertos, acho que ela tá trilhando um caminho muito bacana.

Style: Já me chamou a atenção de cara por fazer uma belíssima (e muito sutil) referência ao rapaz daquela boyband que amo, não nego (a banda, não o rapaz). Se foi de fato a intenção, talvez nunca saberei, mas o que vocês me dizem dessa história de olhar sonhador de James Dean, cabelos longos jogados pra trás e camisetas brancas? Pra refletir. No mais, adoro a forma como ela conseguiu incluir moda na música, sem no entanto deixar forçado ou mesmo banal. Dessas coisas que fatalmente podem dar errado, mas que acabam dando muito certo na mão de gente incrível.

All You Had To Do Was Stay: Quinta faixa do álbum que virou uma das minhas preferidas sem esforço. Corro o sério risco de acabar pagando o maior mico do milênio quando ela toca, simplesmente porque não consigo me conter e quando dou por mim, já estou no meio do meu show, os braços pra cima, gritinhos mil. Só posso dizer que a vida é curta demais pra a gente não pagar esses adoráveis micos de vez em quando. Em resumo, música grudenta, que fica na cabeça por dias e te faz dançar e se sentir absoluta e maravilhosa logo na primeira estrofe.

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Shake It Off: Como disse lá em cima, meu amor por Shake It Off não foi instantâneo. Ouvi pela primeira vez no carro enquanto ia pra faculdade, e não pude acreditar quando o locutor anunciou que aquela era a nova música da senhorita Swift. Eu, que ainda esperava por uma versão de Red melhorada, com toda uma carinha nostálgica e amor pra dar e vender, tinha como primeiro aperitivo uma música de batida estranha e letra questionável. Toda uma decepção que mais tarde virou só amor e inspiração. É uma música pros haters, coisa que por vezes acho desnecessário e um tanto infantil, mas ao invés de transformar tudo num grande dramalhão mexicano, a moça resolveu colocar suas questões de uma forma divertidíssima, sem se levar a sério demais.

Bad Blood: Se for pra enjoar de uma música desse álbum, a primeira certamente será essa. Passei a semana toda com ela na cabeça, cantarolando por onde quer que eu fosse e fazendo o Gui morrer de rir com meus “bad bloods” deveras desafinados. Momentos. A verdade é que, ao que tudo indica, essa música é sobre a rivalidade de Taylor com ninguém menos que Katy Perry, outra cantora que amo de paixão. Se essa informação procede, não tive paciência de verificar, mas acho desnecessário colocar mais lenha nessa fogueira.

Wildest Dreams: Outro nível de música que te faz sentir absoluta, maravilhosa, rainha do bairro. Tem toda uma vibe sexy melancólica rolando, uma coisa assim meio Lana Del Rey, meio poética, coisa bonita de ver, de sentir. Queria muito ver um clipe pra ela, vejo muito potencial aí. Red lips and rosy cheeks, esse tipo de coisa. Sem contar que a personificação de um homem desses, hum, seria deveras interessante. Mas não quero criar muita expectativa, porque no ritmo que andam meus palpites, as chances dessa música virar clipe são oh, quase zero.

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Wonderland: Pulei várias faixas e fui direto pra essa porque não tinha nada de interessante para falar sobre as outras, porém, desde já aconselho que escutem, vale a pena. Dito isso, vamos a essa que talvez seja a música mais fofa desse balaio todo. Aqui Taylor fala de amor, de se jogar em relacionamentos que fatalmente terminarão em algum momento, sobre se perder e se encontrar. É uma música super gostosa de ouvir, um pop leve, mas que ainda faz com que a gente queira levantar os braços e balançá-los pra lá e pra cá sempre que o refrão toca.

New Romantics: Se me imagino dançando uma música desse álbum em qualquer uma dessas festinhas exóticas de Brasília que eu insisto em me meter de vez em quando, essa música certamente seria essa. Ela me remete muito a esse universo de balada, mas poderia muito bem estar na trilha sonora de um desfile ou de algum desse programas sobre moda. E não tenho dúvidas de que seria uma forte concorrente a embalar as festinhas dos xófens mimados do Upper East Side, se Gossip Girl ainda estivesse entre nós.

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6 Comments

  • Reply Anna 1 de dezembro de 2014 at 1:08 AM

    1989 tem sido a minha vida nas últimas semanas. Também fui ouvir bem desconfiada, porque Red é o disco da minha alma, mas fiquei feliz e surpresa por ter sido cativada tão rápido por essa mudança de sonoridade da nossa Taytay. Ando numa fase bem pop rebolativa solitária pela casa, então ele veio ser minha companhia perfeita pra cafés da manhã dançantes (eu tenho dessas) e dance parties diante do espelho.

    Também sempre sempre sempre me imaginando andando por NY (por favor, esteja no meu futuro) ao som de Welcome To NY, e ao contrário de você, Blank Space foi uma das que eu mais gostei. Acho, inclusive, a melhor do álbum – embora Style seja minha favoritinha. Fiquei meio cabreira com o clipe, confesso, porque quando ouvi a letra pela primeira vez, achei tão maravilhosa, poderosa, sassy, etc que fiquei bem decepcionada ao ver que tinham pegado essa vibe empoderada dela e transformado numa história de psychobitch, como se a gente precisasse de mais exemplos disso. Não vou jogar a Taylor na fogueira por isso, até porque o clipe é lindo, bem feito e ela está maravilhosa, mas não consigo fechar com ele não.

    Adorei as ilustrações com gifs da Jess, fiquei até com vontade de voltar a ver New Girl, haha <3
    beijos

  • Reply Ana 1 de dezembro de 2014 at 12:32 PM

    Eu, que nem fã da Taytay era, viciei em 1989 e agora já me imagino no show da moça, cantando (aos berros) as músicas desse álbum maravilhoso.

    Ainda não escutei Red o bastante pra me apaixonar por ele, mas tô fazendo um vício ao contrário: viciando no novo, pra depois viciar no antigo (porque eu garanto que vai ter vício sim).

    Só fiquei pensando: cadê How To Get The Girl nessa lista, gente? MÚSICA LINDA. Canto toda. Amo. <3

    A única música que não consigo suportar mesmo é This Love. Não posso com essas baladinhas.

    Beijos!

  • Reply suuh 2 de dezembro de 2014 at 1:22 PM

    Acho que sou o único ser feminino na face dessa terra que ainda não escutou esse cd inteiro. Não curto muito o estilo country dela e só de saber que tá mais pop eu já gosto um pouquinho mais, hahaha
    Vou ouvir inteirinho depois comento de novo!

    Beijo.

  • Reply Xará 4 de dezembro de 2014 at 4:19 PM

    Oi bonita, cheguei. Cheguei para comentar sobre um assunto que vem sendo o meu preferido no último mês inteiro: 1989.
    Eu estava esperando alucinada por esse cd, e quando ouvi fiquei chateadíssima. RED é o disco de ouro do meu coração e eu confesso que tava louca por mais do mesmo – odeio mudanças.
    Na primeira escuta achei bem chatinho e rechacei o cd – para pouco mais de uma semana depois estar completamente apaixonada e viciada.
    COMO ASSIM você não ama blank space? Jesus amado, foi minha primeira favoritinha, eu caso com essa música em Vegas e to me esforçando pra aprender a cantar a letra toda, HAHAHA.
    E Wildest Dreams, não tem melhor definição pra essa música do que dizer que nossa amada TayTay bebeu na água da Lana Del Rey e fez isso muito bem. A penúltima vez que ela canta o refrão, juro, ficou igual à Lana.
    Já Wonderland eu não curto muito não, é uma das que eu não faço questão de ouvir. Ela e You are in love. Quando tô sem paciência pra ouvir o CD todo eu pulo de Clean pra New Romantics, que gente, é total música de fim de festa, sabe? Quando você já dançou tudo o que podia, já nem sente mais os pés, já está ensaiando entrar na ressaca moral e aí de repente tem a chance de gritar “QUERIDOS, VOU CONSTRUIR UM CASTELO COM TODOS OS TIJOLOS QUE CÊIS TACARAM EM MIM, SEUS IDIOTA”. Sério, eu me sinto infinita toda vez que canto esse refrão. Preciso cantar isso num fim de balada. HAHAHA
    Beijos! <3

  • Reply Danni 20 de dezembro de 2014 at 5:24 PM

    RELOU, Ana!

    Menina, não conhecia o seu blog, mas nesses andanças loucas pela blogosfera me deparei com ele e comecei a conferir as postagens e estou in love (fazendo aqui uma referencia a you are in love da taytay porque é uma das minhas favs do cd hehehehe #mejulguem).

    Mas, então. Resolvi começar a comentar logo por essa resenha maravilhosa do album mais maravilhoso do ano. Eu confesso que também faço parte do time RED É O MELHOR ÁLBUM DA TAYLOR, porém-entretanto-todavia NÃO TEM COMO OUVIR 1989 APENAS DUAS VEZES <3 <3

    COMO ASSIM VOCÊ NÃO CURTIU BLANK SPACE DE PRIMEIRA??? Faço toda aquela interpretação artística (segura essa! hahaha) dessa música quando ouço e foi ela quem deu nome ao meu blog *-*

    Enfim, eu poderia passar horas falando sobre como é bonito de se ver o crescimento dessa mulher, mas ficaria por aqui mesmo rsrs

    <3

  • Reply ☾ LUA ☾ (@EuCrioModa) 23 de dezembro de 2014 at 4:17 PM

    Tive que ver o clipe de Shake it off umas cinco vezes seguidas pra tentar absorver essa mudança. E depois dessas cinco vezes já vi milhares. Eu adoro a batida de I know places e assim como vc espero, ansiosamente, ouvir Welcome to NY na própria city ;)

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