JOHN HUGHES NÃO DIRIGE MINHA VIDA

YOU JUMP, I JUMP

“It’ll be fun, it’ll be a thrill. Something stupid, something bad for you. Just something different.”

Já disse isso uma ou duas vezes por aqui, mas uma coisa que minha mãe – e meu namorado, e minhas amigas, e aparentemente todas as pessoas do mundo – repete desde que me entendo por gente é que eu preciso aprender a dizer “não” com mais frequência. Na maioria das vezes, ela diz isso depois de um longo suspiro, enquanto me observa arrancar os cabelos e correr desesperada pela casa, chorando por algum prazo ou trabalho não cumprido que pareceu uma ótima ideia, mas que até aquele momento era só uma fonte inesgotável de desgosto e frustração, como quem já não aguenta mais repetir as mesmas coisas em vão, mas continua assim mesmo pois: mãe. Ela conhece a filha que tem bem demais e tem total consciência de que essa é uma cena que vai se repetir até o fim dos tempos; dizer “não”, afinal de contas, nunca foi mesmo o meu forte.

Mas o que pouca gente sabe – e minha mãe sabe melhor do que ninguém – é que, no meio de todo o desgosto e frustração do mundo, existe algo que me preenche e me completa de um jeito totalmente equivocado. Eu gosto disso. Longe de ser uma pessoa corajosa (embora minha psicóloga sempre diga o contrário), projetos, ciladas e ideias malucas demais para serem levadas a sério são o que me mantém em movimento e fazem com que minha vidinha efêmera e sem graça tenha um pouquinho mais de sentido. Por mais esgotada que eu esteja, mesmo com todas as lágrimas e a vontade constante de arrancar os cabelos e amaldiçoar todos os projetos que aceitei e todas as ideias que topei fazer acontecer porque pareciam a coisa mais legal do mundo até que não era mais, eu gosto de participar e me meter em todas as merdas possíveis, especialmente quando elas dão certo ou rendem uma boa história para contar no final. Muitas das coisas mais legais que já vivi nessa vida só aconteceram porque eu disse “sim” e me dei de presente a chance de vivê-las, e é bom que seja assim – e continue sempre sendo assim; não porque é sempre bom, mas porque ainda é melhor desse jeito.

Talvez por isso, faça todo o sentido do mundo que 2017 tenha sido o ano em que elevei esse negócio de dizer “sim” aos extremos; menos por medo de magoar os outros, mais por uma vontade intrínseca de arriscar – o que exige uma confiança extrema nas Forças do Universo™ e na minha própria capacidade de fazer as coisas darem certo. Sempre que converso sobre isso com a Yuu, chegamos à conclusão que isso é, de alguma forma, um reflexo da ansiedade e da depressão, numa espécie de euforia que antecipa a queda; mas também uma consequência do momento que estou vivendo, que é sim, um prato cheio para novas experiências. Não sou uma pessoa corajosa – pelo menos, não de um jeito óbvio -, muito menos destemida, mas talvez o segredo sobre fazer as coisas acontecerem não seja sair por aí sem medo algum, mas caminhar apesar do medo. Ao mesmo tempo, li em algum lugar que, depois de todas as coisas horríveis que aconteceram nos dois últimos anos, 2017 finalmente seria o ano em que trabalharíamos duro e faríamos coisas importantes acontecerem. Não sei até que ponto vocês acreditam nesse tipo de coisa, mas como alguém que crê fortemente que a culpa quase sempre é das estrelas, todas essas coisas têm se provado incrivelmente reais.

Às vezes é incômodo pra caralho, porque significa dar passos imensos e fazer várias coisas ao mesmo tempo, ainda que todas elas sejam assustadoras, e continuar seguindo em frente assim mesmo, mas, mais uma vez, é no meio dessa loucura que eu encontro algum conforto e significado. Estou de férias desde o dia sete de julho e acho que a coisa que mais repeti nesse meio tempo foi que minhas férias tinham sido uma mentira e eu não tinha parado um minuto sequer, o que não deixa de ser verdade. Desde que me vi livre dos trabalhos da faculdade, minha sensação é a de que continuo sempre tendo um texto para escrever, um e-mail para responder, um formulário para preencher, uma consulta ou evento inadiável para ir; mas entre todos os compromissos, todas as noites em claro na frente do computador, as crises de choro no banheiro e a vontade constante de passar dias só olhando pro teto, dançando sozinha no meu quarto, assistindo episódios de Downton Abbey em looping como se nada mais importasse na vida e lendo todos os livros do mundo, também existe a satisfação de saber que todo o esforço, dedicação e tempo aparentemente perdido estão alimentando sonhos e ambições maiores até do que eu mesma. Já disse mais de uma vez que preciso me apaixonar por qualquer coisa que eu faça, e minha maior sorte é que, no momento, todas as coisas que tenho feito e que têm ocupado meu tempo me fascinam e enchem de orgulho de um jeito que parece bobo – e talvez até seja -, mas que ainda é justamente o que me faz colocar um pé na frente do outro dia após dia.

As pessoas percebem o quanto esses projetos, ambições e sonhos – que podem ou não ter começado como algo meu, mas que a essa altura já se tornaram tão meus quanto de quem as idealizou – têm um significado imenso só de me ouvirem falar sobre elas; algo tão incrível, único e especial que às vezes preciso parar e me perguntar se realmente está acontecendo ou se simplesmente não vou acordar em algum momento e descobrir que tudo não passava de um sonho meio maluco. Sempre existe essa possibilidade, mas acho que dificilmente seria o caso.

Naturalmente, muitas dessas coisas envolvem enfrentar medos imensos e confrontar fantasmas que ficariam no meu armário por muitos anos, não fosse a necessidade imediata de tirá-los de lá. Recentemente, ouvi de uma pessoa que nem me conhece muito bem, que eu tinha escolhido um jeito bastante traumático de sair da minha concha, e foi engraçado ouvir isso dessa forma, como uma verdade que não precisava de um pano de fundo complicado para se tornar real. Ele não precisava saber de toda a minha história para reconhecer o tamanho dos desafios que tenho pela frente; eis aí uma verdade incontestável. No entanto, ao invés de correr para o banheiro e chorar na frente do espelho, só para perguntar para o meu reflexo onde diabos eu estava com a cabeça quando aceitei todas aquelas propostas e querer jogar tudo pro alto, isso só me fez ter ainda mais certeza do que eu quero. Uma das minhas cenas favoritas de Gilmore Girls é justamente quando a Rory topa pular de mãos dadas com o Logan, segurando um guarda-chuva e usando um lindo vestido de princesa, daquela enorme estrutura que não sei como chama, mas vocês sabem exatamente qual é. Ela só estava ali para escrever uma matéria, mas então o Logan diz pra ela que as pessoas podem viver cem anos sem terem vivido por um minuto sequer, e de repente, não mais que de repente, os dois estão lá em cima, apavorados e de mãos dadas. Minha sensação, em todos esses desafios, é exatamente a de estar em cima dessa imensa estrutura, esperando para pular – e a euforia da Rory pós-salto é exatamente como eu me sinto quando as coisas finalmente acontecem.

Apavorada é como tenho me sentido desde que decidi participar do BEDA, mesmo já tendo tanto pra fazer (site? newsletter? filmes? vida pessoal? HÁ!), mesmo com tanto para me preocupar. No sábado, passei quase duas horas no telefone com dona Yuriko Yogi, e quando ela me perguntou se eu iria participar e eu respondi que sim, é óbvio, nós rimos horrores – eu, de nervoso; ela, provavelmente porque sabe a amiga maluca que tem. Lógico. Quais as chances disso não acontecer? Que eu sou completamente maluca não é nenhuma novidade, mas talvez seja a hora de abraçar de vez meu lado overachiever e pular de uma vez nesse barco. As chances de que dê tudo muito, muito errado são imensas, mas já tenho alguns posts programados e um calendário mais ou menos organizado para me orientar – que não vai servir pra absolutamente nada quando a coisa ficar feia, mas essa é outra história. No entanto, como dizem por aí, o que importa não é realmente o destino, mas a jornada, e essa talvez seja a oportunidade perfeita para provar que a máxima nunca foi tão real.

Quem vamos?

>> Como sou maluca, mas raramente estou sozinha, não esqueçam de acompanhar meus amores Manu, Tati, Michas e Mia que estão de mãos dadas nessa cilada comigo e também participarão do famigerado BEDA. Partiu, é nóis. <3

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3 Comments

  • Reply Ramina Ferreira Xavier 1 de agosto de 2017 at 2:40 PM

    Partiu BEDA bb. Boa criatividade pra nóis.

  • Reply Michas 2 de agosto de 2017 at 12:55 AM

    Amiga, já te disse que adoro ler o que você escreve, mas vou repetir: adoro ler o que você escreve. Te acho muito incrível e você me inspira demais. Também não me considero corajosa ou destemida e, para ser bem sincera, tô pensando no BEDA e já tô exausta e já quero me dar um tapa na cara por ter inventado de participar disso mais uma vez. Olho para o ~cronograma de posts~ e acho TODAS as ideias HORRÍVEIS e IMPOSSÍVEIS de serem realizadas, mas ok, vamos brincar. Tô desesperada, mas ok, vamos bedar no desespero mesmo. VAI DAR CERTO (risos absolutamente nervosos), TEM FÉ! A GENTE VAI CONSEGUIR.

    Beijos <3

  • Reply Manu 3 de agosto de 2017 at 12:14 AM

    Amigaaaaaaaaaaa, eu to tão feliz de poder bedar juntinho de você esse ano <3 lembro que ano passado começamos mais ou menos parceiras e agora estamos aqui trocando figurinhas de apoio mútuo HAHAHAHAH :P o BEDA desse ano certamente vai ser outra experiencia maravilhosa (embora levemente megalomaniaca, como tudo isso que a gente faz) pro album de figurinhas do seu 2017. Vai ser lindo ter posts seus todo diaaaaaaaa (e ESCREVA SOBRE DOWNTON!!! THE MORE THE MERRIER hahahahaha) :***

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