VIDA DE FANGIRL

YOU KNOW YOU LOVE ME

Ou: Prestação de contas #6.

Talvez vocês estejam se perguntando porque eu estou prestando contas sobre essa meta agora quando ela é, na realidade, uma das últimas da minha singela lista. Ou talvez vocês não estejam se perguntando absolutamente nada, o que, aliás, acho bem mais provável. A questão é que escolhi pular várias metas e falar logo dessa porque, por um milagre do destino, nesse meio tempo de posts pouco regulares e motivação em nível zero, eu acabei voltando a assistir Gossip Girl.

Eu já comecei a assistir a série tardiamente, em meados de 2010, quando tinha acabado de sair do ensino médio e ainda me via num mar de tédio infinito. Explicarei essa história futuramente, mas basicamente fui liberada antes dos meus colegas para viver a vida universitária, odiei tudo e fiquei coçando o saco (que não tenho) em casa por mais ou menos uns seis meses. Essa situação me irritava de tal forma que, sem ter dinheiro para sair todo santo dia (nem companhia, já que meus amigos ainda precisavam estudar para as provas de fim de ano), comecei a buscar uma série que fosse boa o suficiente pra me causar certa dependência e me salvar antes que eu me afogasse no tédio de vez.

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Foi um tiro no escuro. A vida dos adolescentes mimados do Upper East Side não me pareceu, logo de cara, assim tão interessante. Mas considerando o sucesso absurdo que a série fazia (e sendo eu uma pessoa altamente influenciável), achei que valia à pena arriscar. Não deu outra e em menos de uma semana eu já estava completamente envolvida. Passava horas na frente do computador assistindo os episódios online, em uma qualidade questionável e me entupindo de pipoca sem medo de ser feliz. Foi uma época meio deprimente, mas que teve lá sua graça e merece ser lembrada. Só que essa fase passou. E junto com ela, eu meio que parei de assistir Gossip Girl. Fiz várias tentativas de voltar com o mesmo afinco de antes, falhando miseravelmente em todas porque, por algum motivo, já não me sentia assim tão atraída pelas loucuras da Serena e os pitis da Blair. Não ajudou muito o fato das minhas amigas que acompanharam a história até o fim terem odiado tudo. Se no início da terceira temporada eu já andava um tanto desmotivada, imagina só sabendo que tudo terminava de um jeito meio bosta?

A questão é que eu nunca consegui abandonar uma série. Por mais que eu odeie o rumo que algumas tramas acabam tomando, invariavelmente continuo assistindo, mesmo que só para ter do que reclamar. Não é assim que eu seja idiota de continuar insistindo em algo que fatalmente dará errado, mas a questão é que gosto de poder falar das coisas com certa propriedade. Me digam que tudo está uma bosta e talvez eu acredite, mas não pensem que vou desistir de ver a merda acontecer com meus próprios olhos e tirar minhas próprias conclusões. É mais ou menos a mesma questão que me leva a não me importar com spoilers. Não importa o  quanto me contem sobre determinada série, filme, ou até mesmo livro, nada é o suficiente para me fazer desistir de vivenciar a coisa em si.

Eis que há mais ou menos umas duas semanas a série voltou a fazer parte da minha rotina e qual não foi minha surpresa em ter encontrado nela um dos meus melhores escapes. A experiência não é mais a mesma, o que acho muito natural já que não sou mais a adolescente sem eira nem beira de quatro anos atrás. Mas de um jeito ou de outro, ela continua fazendo certo sentido pra mim. Não é que eu continue querendo ser a Serena, porque tanta loirice e espontaneidade estão longe de estar entre minhas qualidades. Blair também não é lá um exemplo a ser seguido, visto a quantidade de atitudes condenáveis no seu currículo. A questão é que, por mais distante que eu esteja das falcatruas do Upper East Side, acabo encontrando ali uma certa identificação porque, no fim das contas, só estamos todos buscando um lugar ao sol.

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É bom enfiar o pé na jaca e reclamar da vida que parece tão injusta quando se tem quinze anos, mas nenhuma angústia adolescente se compara a essa insegurança constante por não saber o que fazer da vida ao mesmo tempo que se tem as rédeas dela nas próprias mãos. É uma fase muito peculiar, cheia de incertezas e possibilidades que por vezes acabam resultando em escolhas precipitadas e muitos, muitos erros. E é exatamente por isso que, por mais que eu condene certas atitudes dos personagens, tento dar um desconto e não julgar tanto, porque cada um sabe a cruz que carrega. É patético ver a Blair tentar dominar a faculdade como se ainda estivesse no ensino médio, mas sei que aquilo tudo é só a saída que ela encontrou para pertencer ao lugar. É o mesmo caso da Serena decidir não ir para a faculdade. Logo de cara achei o fim da picada, a decisão mais burra que ela podia ter feito até então. Mas depois que parei pra pensar, vi que ela não estava assim tão equivocada. E, de certa forma, foi até corajoso decidir não seguir o caminho tradicional. Pelo menos pra mim, que jamais decidiria uma coisa dessas assim. Da mesma forma, Vanessa tenta ser aceita pelos pais, Chuck tenta provar que consegue ser um business man tão competente quanto o pai e que Dan tenta lidar com uma nova realidade, sem perder sua essência.

Todos os personagens acabam enfrentando seus próprios fantasmas, tendo suas próprias dúvidas e cometendo seus próprios erros. Mesmo aqueles que só estão ali pra encher linguiça ganham suas próprias histórias, suas próprias questões e aprendem a lidar com as consequências de seus próprios erros. Nem mesmo Georgina passa ilesa nessa história, e por mais difícil que seja aceitar as razões que a levam a ficar atirando suas faíscas para todos os lados, a gente acaba deixando passar porque ela também é humana. Todos estão crescendo e nessa hora, onde você nasceu não é a questão principal, mas sim para onde quer ir dali em diante. E é engraçado porque aqui, do outro lado, eu estou crescendo como pessoa também. Errando, acertando, enfrentando essa loucura que é ter vinte e poucos anos e tentando ser alguém na vida quando nem mesmo sei o que isso significa de verdade.

Não tenho uma previsão de quando vou chegar ao fim dessa jornada, o que não é um problema de fato, porque terminar a série, a essa altura do campeonato, não é bem uma das minhas prioridades. Mas queria de alguma forma deixar registrada essa nova experiência de poder encontrar tanto numa série que até então sempre pareceu ter tão pouco a oferecer. Gossip Girl não é nada complexa e acredito que nunca teve a pretensão de ser. Mas se ela pode ser um bom escape pra mim, talvez possa ser um bom escape para alguém aí do outro lado também. Nem que seja só pra ver o gato do Carter.

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11 Comments

  • Reply Manu 2 de outubro de 2014 at 2:16 AM

    Vim aqui só porque rolou uma identificaçãozinha :)
    Eu li os livros (não vi a série) mais ou menos na mesma época da sua vida em que você começou, e esse ano (último ano da faculdade já) foi que finalmente encontrei o último livro disponível pra download – e lá fui eu mergulhar no mimimi sem fim da Blair e da Serena de novo. É engraçado, como a história futilzinha faz a gente refletir nas horas mais inesperadas… e não deixa de ser também uma história sobre a adolescência e a passagem pra vida adulta, se a gente olhar bem :)
    beijos!

  • Reply Ingrid A. 2 de outubro de 2014 at 2:59 AM

    ahh meu eu sou dessas com Gossip Girl também.. eu começo mas nunca consigo passar da terceira temporada.. não sei porque. Sua reflexao é bem bacana e você terminando me avise <3hahahahah quero saber o que acontece com todo mundo pq sou perdida na vida e ate agora nao sei.

    fiquei super feliz e emocionada com teu comentario sobre meu texto sobre Moda.. sei que nao tem muita gente que lê, mas faço com tanto amor e esforço pra sair um bom texto que fico toda boba quando comentarios como os seus chegam lá no blog

  • Reply Gaby 3 de outubro de 2014 at 6:27 AM

    Fui uma louca, fanática por Gossip Girl, e realmente, como você disse o final é péssimo, porém, eu amante de seriados, até hoje, nunca vi um seriado que merecesse aplausos pelo seu final, nenhum final é realmente bom, pois é apenas um pequeno desenrolar de tudo que passou.

  • Reply Analu 5 de outubro de 2014 at 9:23 PM

    Ei xará :)
    Sabe que teve uma época que eu empolguei de começar a assistir Gossip Girl, mas eu sou muito lerda para assistir série. Só engato mesmo se a coisa me pegar de jeito e até hoje só Friends e Grey’s conseguiram me agarrar HAHAH. Com Gossip Girl eu assisti 1 temporada e meia, mas vivo querendo começar de novo e ver se mato, porque tenho curiosidade!
    Beijos!

  • Reply Anna 7 de outubro de 2014 at 3:32 PM

    Eu amo Gossip Girl com todo o meu coração. É mais pelo valor emocional que ela tem pra mim mesma, já que até hoje é a única série que eu assisti do começo ao fim, no tempo que ela passou. Comecei a ver quando ela estreou e terminei no dia que ela acabou. Foram anos de envolvimento, e mesmo quando era horrível era maravilhoso, porque tínhamos Blair, Chuck e Georgina. E eu tinha várias a migas que assistiam também, então passamos muitas aulas fofocando a respeito da série, e inúmeras tardes fingindo estudar quando na verdade víamos de novo e de novo nossos episódios favoritos.

    Tenho as duas primeiras temporadas em DVD, e já revi tantas vezes que sei até as falas desses episódios. Agora que tem no Netflix fico com vontade de reassistir as outras pra matar a saudade, mas ao mesmo tempo tenho medo de romper essa aura mágica da série na minha vida. Quando eu via eu já achava meio ruim, agora com distanciamento fico com medo de perder o apego. E isso eu não quero de jeito algum.

    É uma série que tem lá seus problemas, mas tem acerto também, principalmente com os personagens. São todos muito queridos, e bem reais em seus erros e loucuras. You know you love me sempre vai ser realidade. <3
    beijos!

  • Reply suuh 7 de outubro de 2014 at 9:40 PM

    Me identifiquei muito com o fato de também ser uma pessoa que não consegue abandonar uma série. Não importa o quanto bosta eu achar, simplesmente vou assistir de vez em quando nem que seja pra reclamar do quanto bosta é, ou mesmo só pra saber como que aquela bosta termina, HAHAHAHAHA

    Sempre amei GG, teve umas temporadas péssimas e outras ótimas, mas não achei o final tão ruim.

    Beeijo

  • Reply Ana 8 de outubro de 2014 at 12:53 AM

    Tive essa mesma relação com GG.
    Comecei a assistir na Warner e meu vício era extremo! Depois fui perdendo o interesse até que abandonei por completo. Não há muito tempo, me reencontrei com a série através do Netflix e o vício tomou conta novamente rsrsrs… Como você, também não me tornei a maior fã do rumo que a história de alguns personagens seguiu, mas ainda sim adoro!

  • Reply Camila Faria 9 de outubro de 2014 at 1:58 PM

    Ana, eu nunca assisti a série e, na verdade, sempre achei que não ia me envolver com a história… Mas depois desse seu post fiquei até com vontade de começar a assistir. Quem sabe???

  • Reply mariana lima 9 de outubro de 2014 at 6:47 PM

    Gossip girl foi uma das melhores series da minha vida, não sei muito bem o motivo, alias já assisti séries com uma historia centena de vezes melhor, mas por algum motivo gossip girl tem um lugar especial pra mim. Nunca foi um escape pra mim como foi pra vc. Sempre levei mais como uma diversão naquelas horas que não tinha absolutamente nada pra fazer.
    http://teoremademari.blogspot.com.br/

  • Reply Sammy 9 de outubro de 2014 at 9:11 PM

    Compartilho do mesmo problema de nunca ter conseguido terminar essa série. Porém, concordo que ela é realmente um bom escape, e que em alguns momentos, você consegue se ver entre um dileminha e outro dos personagens (claro que de forma muito mais real e menos sinistra).

    La DiaboliqueFan Page

  • Reply Stephanie Pereira 14 de outubro de 2014 at 8:36 PM

    GG teve seus altos e baixos, seus momentos “OMG-não-posso-perder-o-próximo-episódio”, e seus “okey-não-vou-assistir-mais”. Mas assisti todas as temporadas, e vou confessar que ela me faz falta. As referencias a moda, os cafés em Paris regados a chá e macarons. As intrigas que mais lembravam colegial, do que qualquer outra coisa. Um monte de jovens ricos fazendo mal pra si mesmo repetidamente: nenhum outro seriado com o mesmo enredo daria certo, acho que isso me faz amar GG. haha

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